Relatório

Indrodução da Cidade de Brasília

A atual capital do Brasil, Brasília tem a população de 2 562 963 de habitantes, sendo então Brasília também possui o segundo maior PIB per capita do Brasil. Inaugurada em 21 de abril de 1960, pelo então presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, Brasília é a terceira capital do Brasil. Suas anteriores foram Salvador e Rio de janeiro. O plano urbanístico da capital, conhecido como Plano Piloto, foi elaborado pelo urbanista Lúcio Costa. Muitas das construções da Capital Federal foram projetadas pelo renomado arquiteto Oscar Niemeyer.

O projeto consistiu basicamente no Eixo Rodoviário (ou “Eixão”) no sentido norte-sul, e Eixo Monumental no sentido leste-oeste. A criação arquitetônica dos monumentos centrais foi designada a Ocar Niemeyer. O Eixo Rodoviário é formado pelas asas Sul e Norte e pela parte central, onde as asas se encontram sob a Rodoviária principal. As asas são áreas compostas basicamente pelas superquadras residenciais, quadras comerciais e entrequadras de lazer e diversão (onde há também escolas e Igrejas). O Eixo Monumental é composto pela Esplanada dos Ministérios e pela Praça dos três poderes, a leste; a rodoviária, os setores de autarquias, setores comerciais, setores de diversão e setores hoteleiros em posição Centrica; a torre de televisão, o Setor Esportivo e a Praça do Buriti, a oeste. A sede do governo do Distrito Federal, localizada na Praça do Buriti, deveria ter suas funções administrativas transferida para o Palácio do Buriti para a Região Administrativa de Taguatinga até 2010, o que não ocorreu.

 

Plano Piloto e Cidade Satélite + Entrevistas

Plano Piloto – Primeiramente fomos ao plano piloto, nas superquadras e lá, encontramos alguns moradores e fizemos algumas perguntas sobre a qualidade de vida que se tinha na superquadra e se, assim como planejou Lucio Costa, havia interações, relações sócias entre os moradores.

Os moradores do plano piloto disseram que tinham uma vida ótima e saudável, com tudo que precisavam ao seu alcance, era apenas descer alguns andares, brincaram eles. Porem como todos sabem, o plano piloto é uma área extremamente elitizada, com o metro quadrado da superquadra em torno de 2500,00 reais. Disseram também que não havia interação nenhuma entre os moradores, que foi apenas uma ideia, que nunca chegou a se concluir, poucos moradores se conhecem. Os entrevistados disseram que nunca precisaram ir para as cidades satélites, e que só encontravam alguns moradores dessas cidades quando iam ao comercio.

Já nas cidades satélites, os moradores, em sua grande maioria, são descendentes de alguma maneira dos candangos que ajudaram a construir Brasília. Os moradores das cidades satélites em geral não estão muito satisfeitos com a cidade, dizem que precisa melhorar os hospitais, pois o atendimento e o acesso são precários e os transportes públicos em geral também. Por outro lado, eles conseguem viver relativamente bem tirando esses dois outros aspectos, afinal as mercadorias nas cidades satélites tem um preço muito mais baixo que no plano piloto, o que facilita muito a vida deles.

 

Entrevistas:

  • Primeira Entrevista

Nome: Larissa

Idade: 30

Local de Nascimento: São Paulo

Escolaridade: Pós-graduação

Profissão: Artes Plásticas

Cidade em que Reside: Barcelona

Local onde Trabalha: Brasília (Plano Piloto)

Renda Aproximada em Trabalhos Mínimos: 5,5

“Setor de Mansões Parkway, não oferecem opções de lazer.”

[…]

“Há bastante área verde. Há muita violência. Há falta de estrutura. Saneamento básico precário. Pouca escolaridade. Saúde ruim. As cidades satélites são menos desenvolvidas do que o Plano Piloto de Brasília. Falta mais investimento nas cidades satélites em geral (saúde pública, saneamento básico, segurança e escolas públicas). Necessita de melhoramento do policiamento.”

[…]

“Possibilidade de poder trabalhar em uma cidade satélite em vez de ser uma cidade dormitório.”

[…]

“Não há interações entre eu e meus vizinhos.”

 

  • Segunda Entrevista

Nome: Wagner

Cidade em que Reside: Brasília (Águas Claras)

“Nasci aqui, vivi aqui e meu vinculo é todo aqui. Trabalho em Ceilândia e moro em aguas claras (15 km de distancia). Não é bom morar em uma cidade satélite. Não tem nenhum beneficio em morar em uma cidade satélite. Segurança, transporte e sistema de saúde precária. Brasília é da Catedral pra lá, pra cá é o que eles chamam de suburbanos. Meu pai trabalhou na construção de Brasília. Ele veio do rio grande do norte. Tinha orgulho de ter construído Brasília e mesmo não nascendo em Brasília ele se considerava brasiliense. Meu pai veio em busca de remunerações melhores; da promessa de uma vida melhor. Veio sozinho e nunca quis voltar para sua terra de origem. Antigamente era tudo mais fácil. Você ganhava terreno, ganhava casa…”

 

Trajetória de Desenvolvimento da Cidade

Aos 50 anos, Brasília, a capital federativa do Brasil, ultrapassa o limite de 500 mil habitantes no projeto que havia sido feito pelo urbanista Lúcio Costa, atingindo os 2,5 milhões de habitantes. Como toda metrópole (cidade grande), Brasília obteve diversos problemas devido a sua superpopulação no Plano Piloto, tanto de “moradores” quanto de trabalhadores vindos das cidades satélites. Um dos problemas enfrentados pela população da cidade, foi o transito, causado pela superlotação de carros nas ruas e, ao péssimo transporte publico, que inclusive foi alvo de grande parte das criticas vindas dos entrevistados, tanto no Plano Piloto quanto nas cidades satélites, no caso das entrevistas, a Ceilândia.

De acordo com a UNESCO, Brasília é considerada como Patrimônio Cultural da Humanidade, mostrando assim ser “famosa” pelo seu turismo, recebendo cerca de um milhão de visitantes por ano, porem não é seu turismo que a faz ser terceira cidade mais rica do Brasil, mas sim a sua economia. A economia da cidade esta diretamente ligada à base da construção civil e do varejo, sendo o resultado da função administrativa dela, já que ela é o centro politico do Brasil.

Com um design modernista, Lúcio Costa fez de seu projeto uma cidade-maquete, ou seja, uma cidade cuja as ruas as casas são todas iguais, com o objetivo principal de deixa-la mais bonita visualmente (menos poluição visual de prédios e construções) e mais fácil de navegar nela. Apesar das ruas serem iguais, os nomes das ruas não são iguais, na verdade elas são diferentes entre si, porém possuem uma lógica obvia que ele (Lúcio Costa) pressupunha que todos tivessem, o conhecimento da matemática. Cada rua possui uma numeração referente a sua localização, seguido de uma letra que define qual Asa do Plano Piloto é  (Asa Norte ou Asa Sul). A ideia disto era simples: todo mundo sabe matemática e, todo mundo tem dificuldade de “decorar” nomes de ruas compostas, como em São Paulo por exemplo.

 

Um Pouco sobre as Cidades Satélites

A primeira cidade satélite surgiu  pouco antes da inauguração da capital do pais quando a maioria  dos candangos, que serviram de mão de obra para a construção da cidade não voltaram para seus estados de origem e passaram a viver em barracos na cidade.  O então presidente Juscelino, junto com os demais políticos, os colocaram na periferia da cidade. Estava criada assim a primeira cidade satélite, já demonstrando que o plano piloto excluía de seu projeto as classes menos favorecidas. Outras cidades satélite foram surgindo também tendo por trás essa ideia de exclusão das classes menos favorecidas. Um exemplo é Ceilândia que surgiu após um projeto de erradicação de favelas no Plano Piloto.

Hoje, as cidades satélite abrigam os trabalhadores, migrantes e filhos de migrantes que trabalham, em sua maioria no Plano Piloto e voltam para casa para dormir. O preço das residências são mais em conta, o que favorece a ida deles para essas regiões que ficam em torno, mais ou menos 30 km do Plano Piloto. As condições das cidades satélite são muito inferiores da do centro da cidade de Brasília, as escolas tem uma infraestrutura deficitária, com falta de professores e péssima infraestrutura, faltam condições mínimas de saúde, não há hospitais para todos e a violência aumenta vertiginosamente.

 

Brasilia Real X Brasília Idealizada + População no Plano Piloto

A vida dos moradores no plano piloto é bastante controversa. De acordo com os moradores entrevistados, o plano piloto oferece bastantes variedades de lazer, porém, os últimos são localizados muito longes e concentrados em determinadas áreas, dificultando o acesso dos moradores de algumas áreas do plano. O mesmo ocorre com escolas e centros comerciais, que não são de fácil acesso para todos os habitantes do plano. O transporte público é deficiente, e não atende as necessidades dos moradores do plano, de se locomoverem o quanto precisam.

Os melhores índices de qualidade de vida do Brasil estão no plano piloto, uma vez que a infraestrutura é muito boa, os prédios muito bem construídos, a presença de uma escala bucólica e, conseqüentemente, de muita área verde. O custo de vida no plano é, portanto muito alto, gerando uma grande diferença de classes, entre os morados do plano e os moradores dos arredores. As melhores escolas de Brasília, assim como a Catedral, e os centros político, econômico e judiciário, se localizam no plano piloto, deixando essa região mais valorizada.

Desigualdade entre superquadras, problemas com locação e diversos outros problemas acarretaram na formação de uma cidade turbulenta, com princípios de maior criminalidade e consumo de drogas. Após a erradicação deste “problema” que era a pobreza, os operários e os favelados em geral, estes fatores só foram jogados para de baixo do tapete. Fazendo da vida no plano piloto um pouco mais, de qualidade, onde não se vê pobreza, onde não se falta nada e onde se tem tudo, por lá não se ouvem reclamações. Mas o que pensam da vida em Brasília? Nós? O mais comum de se ouvir é a questão do o que fazer? Da possível vida monótona e da cidade isolada. Veem-se os monumentos, os edifícios arquitetônicos, os poderes e o que mais? E é por este fator, o desconhecimento, que leva as pessoas a imaginarem a vida em Brasília desta forma, pois não é retratada, não a vemos em filmes, documentários e em jornais.

Mas por o que vimos, a cidade atrai por sua forma, diversas atividades culturais e por sua história e função, atividades sociais e políticas, é o centro das discussões e das decisões, nos sentimos rodeados por muitas coisas, prédios históricos, monumentos e praças, e ao mesmo tempo nada, não se vêem os brasilienses, pode-se escutar o silencio, o som do vento e saber que tudo esta acontecendo dentro dos prédios e não na rua como estamos acostumados, mas é desse jeito que vivem em Brasília, trabalham nos prédios e seguem para casa no final do dia, é a vida na capital do país.

 

O que Pensam sobre a Vida em Brasília

Uma vida muito organizada, não precisam andar muito para conseguir o que querem, tudo que necessitam esta ao seu alcance sem muito esforço, a cidade e toda organizada para o andar a “pé” dos moradores e com túneis por debaixo de ruas e rodovias para que não aja perigo ao atravessar ruas e cruzamentos. A vida em Brasília e muito boa com a maioria que vive no plano piloto de classe media alta.

 

Aspectos Positivos e Negativos de Brasília

  •  Aspectos Positivos:

O ar praticamente não poluído;
As grandes áreas verdes;
O céu em Brasília é muito bonito, e lindos entardeceres são algo comum;
O sistema educacional e o sistema de saúde costumam ser considerados como estando entre os melhores do Brasil.

  •  Aspectos Negativos:

O preço das casas e dos apartamentos (tanto para compra quanto para aluguel) é muito elevado, comparado ao de outras cidades brasileiras;
O transporte público é ineficiente. O sistema de ônibus tem inúmeras deficiências e é caro; a construção do metrô caminha a passos lentos devido a falta de recursos (e a área efetivamente servida pelo metrô é também muito pequena). Como consequência, a maioria das pessoas que possuem carros usa pouco (ou sequer usa) o transporte coletivo;

As pessoas de outras cidades costumam estranhar a pequena quantidade de pessoas que podem ser encontradas nas ruas, bem como as grandes distâncias entre os edifícios;
As cidades satélites mais novas têm pouquíssimas áreas verdes, ao contrário das cidades satélites mais antigas e do próprio Plano Piloto;
Vários dos edifícios públicos mais famosos, embora esteticamente belos, são considerados pouco funcionais.

 

Adaptacao da População à Cidade (e vice-versa)

A cidade já que tem um modelo já traçado, algumas pessoas tendem a seguir esse modelo e viver e acordo como foi planejado, mas isso na minoria, pois outras pessoas acabam se deslocando mais e não seguindo esse plano, as vezes pelo lugar onde trabalham, ou onde filhos estudam, e assim buscam tentar se adaptar a cidade as suas necessidades.

 

As Cidades Satélites e a Lógica de Exclusão

Brasília foi uma cidade que teve seu projéto urbanístico feito por Lucio costa. Inaugurada no dia 21 de abril de 1960, seu projeto chamado plano piloto, tinha a capacidade de acolher por volta de 500mil pessoas para viver na cidade, porém muitos dos que trabalharam na construção da cidade vieram de áreas pobres do nordeste do pais, em busca de uma nova vida na capital. Esses homens, chamados de Candangos, foram as figuram mais importantes na construção de Brasília. Porém, quando a cidade realmente ficou pronta, eles foram segregados dela por não possuírem condições econômicas para viver na nova capital.

Todos esses trabalhadores, ao término da grade construção, foram sendo levados pelo governo para regiões a partir de 25 km de distancia da cidade e formaram as cidades satélites. Essas cidades eram formados por trabalhadores pobre e suas famílias e por muito tempo foram esquecidas totalmente pelo estado, se transformando em áreas de grande pobreza e violência.

Nos dias de hoje a situação não mudou muito. Ainda existe grande diferença entre a qualidade de vida e a renda das populações de Brasília em relação as cidades satélites. Uma grande parte da população  que vive hoje nas cidades satélites, trabalha na capital, prestando diversos tipos de serviços, desde trabalhos braçais a cargos públicos. Porém existem muitas falhas no sistema de transporte público para fazer o tráfico dessa população das cidades satélites para a capital.

Esses candangos, que tiveram papel fundamental para a cidade de Brasília, nunca tiveram o seu reconhecimento devido e foram excluídos para áreas com total abandono do estado e afastados da capital. Nos tempos de hoje, para esses homens, seus filhos e netos , Brasília representa apenas  uma área de trabalho onde eles não conseguem desfrutar do que a cidade realmente pode oferecer de melhor.

 

Conclusão

Chegamos a conclusão de que o projeto da cidade-modelo de Lúcio Costa não atingiu todos os seus objetivos, tanto pelo nosso ponto de vista quanto no ponto de vista das pessoas entrevistadas na pesquisa de campo, que haviam mais experiência para nos dizer isto. De acordo com as pessoas entrevistadas em Brasília e na cidade satélite de Ceilândia, o transporte público é ruim, a segurança também, em vista de que há pouco patrulhamento nas ruas e que os prédios das superquadras são abertos no Térreo, possibilitando uma ampla visão de um assaltante sobre suas vítimas e o grande transito, principalmente no eixo monumental (entre a Asa Norte e a Asa Sul), por causa da superpopulação da cidade. As áreas pensadas por Lúcio, para ser palco do encontro das pessoas da cidade, foram um grande fracasso, pois a população não quis fazer uso desse espaço para uma área de conversa e interação com o outro, já que além do clima quente da cidade, havia outras áreas que possibilitavam o encontro, como as casas, o térreo delas, o shopping, etc. Um bom exemplo disto é a Superquadra 308 Sul, que foi a única superquadra no Plano Piloto que construíram uma Unidade de Vizinhança completa, ou seja, um espaço entre quatro prédios ou cada superquadra, que havia Clube, Cinema, Biblioteca e Capela.

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